Em tempos sofri de uma "doença" chamada audiofilia aguda. Durante alguns
anos dediquei muito do meu tempo e algum dinheiro na esperança de ter em
casa um sistema de alta-fidelidade
(reparem que não disse aparelhagem) com o som perfeito. Como um
verdadeiro audiófilo, preocupava-me com todos os detalhes que podem
influenciar a qualidade de som à saída das colunas.
Todos
os componentes, amplificador, leitor de CD's, colunas, etc, têm que
combinar entre si. E quando digo combinar não estou a falar de terem que
ser todos da mesma cor mas sim das suas características sónicas. Ou
seja, um amplificador pode tocar melhor com este par de colunas do que
com aquele...Este leitor de CD´s tem um som muito "áspero", se calhar
soa melhor com aquele amplificador...
E depois, quando já
começamos a fazer contas ao dinheirinho que gastamos, vem a parte
melhor. Não se pode gastar mil euros num par de colunas e depois
ligá-las com fio de candeeiro...Nem ligar o leitor de CD´s com os cabos
de origem. As regras da proporcionalidade e do equilibrio sonoro exigem
que tudo seja ligado com cabos a condizer. E na hora de montar tudo, lá
vai mais uma mesa especial e uns suportes para as colunas tudo assente
em spikes por causa das vibrações.
A seguir
devoram-se todas as revistas
da especialidade e descobrem-se aqueles truques que não lembram ao diabo
e só nos fazem gastar ainda mais dinheiro para "melhorar" ainda mais o
som... Um dia, em casa de um amigo, descobrimos que a "aparelhagem" que
ele comprou no LIDL por 99 euros toca melhor que a nossa...(Não, não foi
o que se passou comigo...:-)
No que me diz respeito, acho que
tive o bem senso de não cair em exageros. Na altura preocupava-me com
"pormenores" como a profundidade da imagem estéreo, palco sonoro,
ressonância dos graves, dinâmica, passava horas a tentar acertar com a
posição das colunas e comprava CD's de referência por causa da qualidade
de som e não porque gostasse da música.
Quando descobri
que o estatuto de superioridade sónica é, quase sempre, fruto da
imaginação, um fenómeno psicoacústico estimulado pelo preço exorbitante,
pelos acabamentos sofisticados e críticas exacerbadas, válidas para
centenas de aparelhos, consoante o crítico e a revista, mandei tudo às
urtigas e passei a tirar mais prazer da música. Aderi até, ao mp3, coisa
impensável para os ditos audiófilos puristas.
Hoje em dia, 80% da música
que oiço é no computador ou no leitor mp3. Acaba por ir dar tudo ao
mesmo: um conjunto de aparelhos capazes de armazenar dados e amplificar
sinais eléctricos de baixa frequência, que por seu turno deslocarão,
através de um processo electromecânico, o ar, produzindo ondas sonoras!
Nota:A
imagem em cima pode não parecer mas é a de um "simples" leitor de
CD's...:-)