
(...)
Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
.
Uma vez amei, pensei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.
.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que não são.
Sentir é estar distraído.
Escreveu Alberto Caeiro